quinta-feira, 24 de junho de 2010

Muralismo Mexicano

O termo refere-se à pintura mexicana da primeira metade do século XX.
A adesão dos pintores aos murais de grandes dimensões liga-se diretamente ao contexto social e político do país, marcado pela Revolução Mexicana de 1910-1920. O movimento da pintura mural no México se apóia em alguns pontos centrais. Antes de mais nada, a arte deve ter alcance social, isto é, deve ser acessível ao povo. Daí o descarte da pintura de cavalete e a opção pelos murais, de caráter decorativo e/ou comemorativo, que ocupam os lugares públicos, rompendo com os círculos restritos de galerias, museus e coleções particulares. Do ponto de vista da construção de um repertório original, os artistas mobilizam fontes díspares: as antigas culturas maia e asteca, a arte popular e o folclore mexicano do período colonial, aliados às contribuições das modernas correntes artísticas européias, sobretudo o expressionismo alemão e as vanguardas russas.
Enquanto o aprendizado artístico de Rivera passa por uma estada na Europa - o cubismo de Juan Gris (1887-1927) e Pablo Picasso (1881-1973), os contatos com Fernand Léger (1881-1955), com o e com Amedeo Modigliani (1884-1920) -, o de José Clemente Orozco (1883-1949) relaciona-se à permanência nos Estados Unidos, entre 1917 e 1919.
Imediatamente após a Revolução de 1910, Orozco realiza os desenhos intitulados O México em Revolução, com vistas a fornecer às massas elementos para a compreensão da guerra. O estilo direto e caricatural das primeiras obras (por exemplo, Maternidade e Os Ricos Banqueteiam-se Enquanto os Trabalhadores Lutam, realizados para a Escola Preparatória Nacional entre 1923 e 1924) dá lugar a uma dicção mais monumental e de tom simbolista nos afrescos de 1926 para a Casa dos Azulejos e para a Escola Industrial de Orizaba. David Alfaro Siqueiros (1896-1974) encontra no surrealismo uma de suas principais inspirações. Nos seus murais (Morte ao Invasor, 1941-1942), observa-se o uso de cores vibrantes e a combinação de realismo e fantasia.
Rufino Tamayo (1899-1991), embora tenha realizado murais, afasta-se das orientações político-ideológicas mais diretas, preferindo naturezas-mortas
retratos e animais. Frida Kahlo (1907-1954) não pode ser classificada como muralista, mas aproxima-se do grupo em 1928, sobretudo em função de seu casamento com Rivera. O muralismo mexicano repercute nos Estados Unidos e em toda a América Latina. No Brasil, influências do muralismo mexicano podem ser sentidas na obra de Di Cavalcanti (1897-1976), Candido Portinari (1903-1962). Este último associa a pesquisa de temas nacionais, com forte acento social e político em trabalhos como Mestiço (1934), Mulher com Criança (1938) e O Lavrador de Café (1939). Nas décadas de 1940 e 1950, o artista realiza diversos projetos para painéis: Catequese dos Índios (1941), para a Library of Congress [Biblioteca do Congresso] em Washington D.C., Jangada do Nordeste (1953) e Seringueiro (1954), encomendados pelos Diários Associados.

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